Menina de 15 anos abordou policial fingindo ser turista australiana
O sonho de verão da jovem paulista I., de 15 anos, acabou virando caso de polícia. Natural de Guarulhos, em São Paulo, a adolescente fugiu de casa no dia 26 de janeiro. Partiu para uma ‘aventura’ no Rio de Janeiro. Ontem, porém, sem dinheiro ou lugar para dormir, a menina abordou um policial em Duque de Caxias e, fazendo-se passar por turista, pediu ajuda, com o argumento de que era australiana e que tinha sido assaltada por um taxista. Para sustentar a versão, I. falava enrolado e fingia não entender bem o português.
O caso chegou a mobilizar a Delegacia de Atendimento ao Turista (DEAT), que só descobriu a farsa durante as investigações. A mentira foi descoberto quando a menina prestava depoimento. “A jovem, que não falava em inglês, acabou se enrolando e começou a chorar. Ela confessou que havia fugido de casa porque foi molestada pelo padrasto. Disse ainda que veio para o Rio para tentar uma nova vida”, disse o delegado adjunto da DEAT Gilbert Stivanello.
Por telefone, a mãe de I., que trabalha como agente comunitária de saúde em Guarulhos, foi avisada. A polícia descobriu, então, que a jovem já havia fugido de casa pelo menos outras cinco vezes. Na madrugada de ontem, a adolescente foi encaminhada ao Conselho Tutelar do Leblon, na capital. O caso será apreciado pela 1ª Vara da Infância e da Juventude. De acordo com o delegado Gilbert Stivanello, a mãe da menina poderá ser indiciada por abandono de incapaz.
Enquanto vivia os perigos de estar sozinha em uma cidade estranha, I. escrevia um diário. Em um caderno de escola, a jovem relata que teve que pedir dinheiro em sinais de trânsito e vender um aparelho celular na Praça da Sé, em São Paulo, para conseguir comprar a passagem para o Rio de Janeiro, onde imaginava iniciar uma nova vida.
“Hoje, dia 26 de janeiro, às 17h07, estou aqui na Rodoviária do Tietê, em São Paulo, indo para o Rio de Janeiro sem destino e sem dinheiro para uma vida melhor. Sumi do mundo para mais ninguém saber que eu existo (…)”, escreveu.
Fonte: Jornal o Dia / Texto: Charles Rodrigues